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Brasil Ê Ô





A torcida do Sport Club Corinthians Paulista tem muito a ensinar ao povo brasileiro.


O colapso de uma nação ou da edícula da casa se dá pela inobservância de pequenos detalhes. Quando Jesus restituiu a Malco sua orelha decepada por Pedro (a quem repreendeu por isso) aquilo não ficou muito claro nem para Pedro, nem para Malco nem tampouco para Jesus que fez a cura por costume e gênio administrativo, sem cálculo futuro na diminuição da pena, esperança de reconhecimento, proselitismo necessário, etc. O Galileu se fiou no detalhe. E o detalhe, assim como a fé correta e antibióticos bem prescritos, também salva.


O Corinthians se transformou numa espécie de Brasília do esporte nacional, um antro que em vez de produzir esporte, produz corrupção. A MSI, empresa de fachada, comandada por um mafioso russo exilado em Londres jorrou dinheiro de procedência duvidosa nos cofres e bolsos dos dirigentes do clube paulista. Contratações milionárias, salários de jogadores pagos com dinheiro espúrio e toda sorte de sortilégios. O resultado é uma crise sem precedente na história clube, culminada com uma humilhante derrota para o Náutico, lanterna do certame nacional de 2007, por 3 a 0.


O que fizeram os torcedores? Deixaram estar? Não senhor. Foram cobrar do presidente do clube, na casa dele. Jogaram ovos, gritaram palavras de ordem, protestaram como se tivessem sido atingidos na honra; uma turba paranóica defendia o bom nome do time como talvez não fariam nas suas próprias casas, quando há um desfalque ou excrescência por má administração financeira ou marital. Entendam como quiserem esse pensamento obscuro.


O Brasil tem muito a aprender com esses dignos torcedores guardiões do sacro direito de ver seus times do coração ganhando todos os campeonatos. Faço questão de salientar que a aula deve ser ministrada em parte, uma vez que quando o time vencia os campeonatos sob o patrocínio indecente da MSI, a “Gaviões da Fiel” era fidelíssima ao clube e à diretoria porque a vitória não só inebria, mas também corrompe. Item, torcedores ensandecidos de futebol não são exatamente um modelo de cidadão exemplar.


Fosse a turba nacional seguir ao menos o bom exemplo dos torcedores corinthianos eis que estaríamos melhores aparelhados para enfrentar esse animal feroz encarapuçado de terno e gravata que tem como habitat o Planalto Central do Brasil.




Escrito por Alex Menezes às 22h41


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