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As Sandálias do Imperador



Calígula (-12/41d.C). O que tem a ver o terceiro imperador romano com o extravagante juiz do município de Cascavel, Bento Luiz de Azambuja, que cancelou uma audiência porque uma das partes vestia singelas sandálias de dedo? A “parte” era um trabalhador rural, que ignora códigos normativos, bem como a natureza esnobe dos semideuses do judiciário nacional.



Calígula. O excêntrico e cruel romano se chamava Gaius Caesar Germanicus, ganhou a alcunha de Calígula porque as legiões romanas achavam graça com vê-lo indumentado de legionário e calçando a “caligae”, as famosas sandálias militares dos pretorianos. Calígula não obstante o apelido pueril, era um homem poderoso, hoje seria uma celebridade, daria entrevistas no Super Pop. Era um rapaz curioso; nomeou seu cavalo de corridas, Incitatus, para o senado. Antes um cavalo no senado a um senador-boi, como Renan.



Se Calígula por efeito dalgum extraordinário fenômeno, como os lucros de Renan, tivesse restabelecida a vida e o poder noutrora seu e por acidente de alcova infringisse a lei e fosse (delírio) julgado pelo Excl. Sr. Doutor Juiz de Direito Azambuja não apenas ganharia a ação como entraria no gabinete sagrado do magistrado vestido com sua caligae e seria até louvado por isso.



- Mas que elegância, nobre Imperador!



O imperador contemporâneo, Roberto Carlos, na audiência que definiu a proibição da venda de sua biografia, foi festejado pelo juiz; tirou fotos com ele, acariciou-o, só faltou pedir perdão por estar ali, amolando-o com um julgamento. “Reis e imperadores não deveriam ser incomodados pelo judiciário”, deve ter pensando o juiz, para constrangimento meu, que não tenho o poder de ler a mente dos humanos, só à de juízes.



Juizes que se vendem, outros que abusam do poder, senadores com código de barras na testa igual se prevê no Apocalipse. A coisa anda feia.



- Mamãe, quando eu crescer quero ser senadora.


- Não é “senadora”, Maria Lúcia, é senatriz.


- Ah tá...mas senatriz também pode roubar e se dar bem?




Escrito por Alex Menezes às 22h06


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