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Angústia






Já se disse muito sobre as ações dos homens e nas implicações que elas causam; não raras danosas. Sei lá. Arquimedes queria por porque queria um ponto de apoio para deslocar a terra do seu natural eixo, eu como não tenho pretensões de desestabilizar esse “Grande Botão” (apud. GCLA) queria apenas tentar sorvê-lo com menos sofreguidão. Os soldados romanos fizeram jogo de azar com as vestes do Cristo, conforme havia predito o profeta Isaias 7 séculos antes. Tanto o pêndulo de Arquimedes quanto o bingo dos soldados de César têm lá suas razões misteriosas, inescrutáveis.



Passei parte da tarde de hoje, 24/05/07, num Fórum Criminal acompanhando audiências. Poucas coisas são mais deprimentes. Suspeitos de crimes caminhando escoltados, algemados. Vestidos de amarelo iguais ao “Piu Piu” do desenho animado pareciam pássaros engaiolados, que não chilreavam nada, eram mudos, amedrontados, vagando por aqueles corredores cinzas, todas as pessoas donas das mesmas feições.



São homens, mulheres em penúria. Todos caminhavam cabisbaixos, dóceis à véspera da execução das penas, decerto indóceis no momento em que estavam (supostamente) praticando o crime que os colocou ali.



Ver um semelhante em tais condições me dilareça o peito. É o estágio da putrefação humana enquanto viva. Salvo mui raras exceções, chegar até ali é sinal de que o sujeito tem culpa no cartório geral das maldades, que tem um carimbo pesado.



São casos tristíssimos; estupros, assassinatos, morte de toda cepa. Tirar a vida de alguém é fácil, quero ver alguém tirar a morte. Causa-me tanta angústia uma tal situação que acabo por aqui o escrito de hoje sem saber se as atitudes humanas são mesmo a asa que faz voar a crueldade e intolerância. Talvez as coisas fossem melhores se Arquimedes conseguisse sua alavanca ou se os soldados romanos não fossem imprevidentes, mas eram meros objetos da necessidade de uma razão.




Escrito por Alex Menezes às 23h17


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