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A Tola Menina-Bibelô




Quando a rede de quase-comida Mc Donald´s se fixou no Brasil era (ou ainda é) muito comum que os franqueados, mormente formados por gente jovem e de patrimônio hereditário, aprendessem todas as etapas do processo da fabricação dos hambúrgueres. Um deles, desconsolado com o método, resmungou eivado de razão:


- Não fui educado para fritar batatas. – e abandonou o projeto.


O que pode parecer presunção pequeno-burguesa é nada menos que a razão na medida e na forma. A atual miss do Brasil e vice “miss mundo” provavelmente não fora educada para ser miss; igual improbabilidade é de que tenha sido educada para ser bibelô de poderosos. Vai saber. Júpiter fez Minerva nascer já adulta e armada, portando lança, escudo e armadura: estava pronta para a guerra. Não passou por nenhum educandário que a fizesse aprender as sutilezas do jogo da vida.


O atual governador das Minas Gerais cujo nome não manchará esta lauda é o atual Olacyr de Moraes; vê as beldades nas revistas e as encomendam, como se encomendam pizza e cocaína. Escusado é falar sobre a construção moral dele que observada com alguma minúcia é uma imponente ruína, sendo verdadeiro o que corre à boca pequeníssima nas Minas Gerais que ele é um dos que fazem passeata pela paz à luz do dia e consume à larga o produto que tornou Pablo Escobar rico, célebre e obviamente defunto. Mas ele faz a parte dele de predador de ninfetas; as ninfetas é que não podem desonrar a classe das mulheres, que tanto tributo já pagou em troca de igualdades e honorabilidade.


Tive um rápido acesso a uma biografia da bela Jackeline Kennedy. Casada com o presidente norte-americano confessou-se infeliz, afora as escapadelas do marido, o poder tornava incompatível o romantismo com a felicidade; uma vez viúva, tornou-se bibelô e troféu dum armador grego, o magnata Aristóteles Onassis; naturalmente, foi maltratada. Encontrou o verdadeiro amor já vetusta, nos braços do mordomo que a acompanhava há anos; ele lhe levava o café à cama, é possível que compusesse poemas, se curvava para limpar-lhe os sapatos, era enfim afável. É compreensível que eu lembre o nome do político e do bilionário e o mordomo seja apenas mordomo; não obstante bom amante, nascera apenas para rodapé na página da história, os outros dois, embora maus amantes, foram página inteira, quando não um livro inteiro.


Até você que lê com alguma cisma este relato inesperado há de convir que é inimaginável um homem de desmedido poder (ou até medido) conceder à mulher que conquista por obra do cargo ou do cifrão toda a atenção e carinhos que merece a mulher que se ama, aquela conquistada à força de olhares, dos velhos buquês, de um mero bilhete ou no máximo de uma caixa de bom tom.


Esperar o melhor dos outros é a pior forma de arrogância que se pode ter; eu quero que a lindíssima menina-miss fosse simplesmente Minerva, que não era apenas deusa da guerra, mas também da sabedoria. O poder seduz e incapacita a gente de pensar com arrazoabilidade. Essa menina, hipoteticamente pobre e fulgurando sua beleza no meio de um mísero município mineiro do Vale do Jequitinhonha, provavelmente não freqüentaria a corte das Minas Gerais; todavia, celebrizada e pálida de holofote, se torna presa fácil para tubarões, mas no fim todos ficam bem; ela lhe dá a beleza, ele lhe dá o sabor do poder e aí então estamos bem, mesmo com tantos motivos pra deixar tudo como está e não desistir nem pensar, agora tanto faz: estamos indo de volta pra casa...




Escrito por Alex Menezes às 23h37


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