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A Nova Carreira do Cronista: Profeta Político


Meus caros: entrei para o ramo das profecias. Cansei. Isto de estudar, turno excruciante num escritório; não quero mais. Entrei para o ramo da profecia. Não, não tive uma visão de Alá como Maomé e nem farei a Hégira maometana como a de 622. Sem essa de visão. Foi tudo resolvido com o estalo de uma indisposição renal – pedras talvez.


Tudo pede uma certa elevação.



O Estado vai acabar. Finalizar. Escafeder-se. Sim, não haverá mais Estados. Azar de Tocquevile. Montesquieu. Maquiavel. Esses zangões do pensamento político são meros estagiários na ante-sala do meu pensamento de rainha-mãe. É o fim do Estado como monopolizador da Legislação, do Judiciário. Na minha visão turbinada com algumas cólicas renais antevejo um mundo livre do ente opressor estatal.



Quer sinais da cabeça desse novo animal que já esperneia e rosna na nossa frente? Vamos aos sinais. O EUA tem hoje a maior dívida pública do mundo. É uma dívida impagável. Se o governo chinês não comprasse papeis emitidos pelo governo americano, estaríamos numa depressão semelhante àquela de 1929, um pouco pior talvez. O EUA não é o único país com dívidas impossíveis de serem quitadas; estamos no mesmo Titanic americano. O que ocorrerá com isto? Cenas dos próximos parágrafos.



Hodiernamente, (palavrinha hein, Sr. Alex? Não podia simplesmente dizer “hoje em dia” blá blá? Tem de vir com “hodiernamente” para encher os pacovás dos seus amigos leitores?) temas polêmicos como a liberação governamental de pesquisa de células-tronco, transgênicos, não é discutido senão pela lógica do capitalismo. Vai dar lucro vender comida que se mexe sozinha? Deixa passar (“deixai fazer, deixai passar”, como diriam os magos do liberalismo econômico francês); há viabilidade comercial para o déficit de órgãos para transplante? Células-tronco liberadas; haverá shoppings para venda de coração, quiosques com promoção de rins; córneas coloridas serão vendidas por vendedores nos faróis das grandes cidades. A bala e o pirulito, diferente de Deus, se tornarão confeitos obsoletos.



Na minha nova área de atuação não quero ser conhecido como profeta do apocalipse; nada disso. É a lógica do ercado. O capital mandará. Imagine um capitalista que descobre uma cidade fictícia. Nela os habitantes andam descalços. São 10 mil descalçados.




O que fará o capitalista? Construirá uma fábrica para vender 10 mil calçados? Não, leitor do bem. O capitalista primeiro descobrirá quantos poderão comprar os calçados, só aí produzirá os calçados que efetivamente serão vendidos. O que importa ao capital não é o bem-estar de nenhum pobre-diabo deste habitat e sim o lucro. O lucro é a mais viciosa invenção depois da roda. Aliás, penso que a descoberta e o advento da roda é um subproduto do lucro.



Para quem os governos do mundo devem essas somas trilhardárias? Ao casulo que gesta o animal do futuro, as grandes corporações financeiras e os grandes conglomerados empresariais. Corre na minha cerviz um fluido gelado quando leio sobre a fusão de grandes empresas. Algumas empresas como a GM, Microsoft e outras têm faturamento anual maior que o PIB de muitos países. É um perigo silencioso.



Chegará o momento em que os governos, não podendo, por uma série de intrincados mecanismos econômicos, emitir títulos, terão de pagar seus compromissos futuros. A permuta será: a dívida perdoada pela troca de Poder. Poder de legislar. Poder de julgar. Poder que o atual modelo estatal manipula livre e sozinho.



Parece uma visagem à Júlio Verne. Na baixa Idade Média, quem imaginaria a Igreja perdendo poder para o “recém-criado” conceito de Estado? E a Igreja diminuiu sua esfera de influência até minguar. Como sou iniciante na profissão, não posso ainda precisar uma data certa para essa nova realidade; conto com a compreensão do leitor.



Nesse novo modelo de organização social, os gerentes do mundo não serão mais os presidentes de superpotências, generais estrelados ou guerreiros antiquados. Nem os aiatolás enfraquecidos pela escassez iminente do óleo enegrecido pela ganância. Tampouco sacerdotes religiosos. O manager deste novo mundo que se afigura serão os CEO’s, o diretor executivo de uma grande corporação. O super administrador, prometerá fazer pela sua nação o que fez por si próprio. Vicente Fox ex-presidente do México, ex-CEO da Coca-Cola e Michael Bloomberg atual prefeito de Nova York e magnata das comunicações são os germens deste futuro.



Será melhor este mundo assim guiado? Não lembro de nenhum profeta que esquadrinhou os efeitos de suas profecias; eles apenas as projetam no futuro e que se vire quem nele for viver. Sou dessa linha de profetas. Quando este dia chegar, o tetraneto de Thomas Edison terá inventado um parafuso elétrico que nos mandará para bem longe deste planeta em borbulhas. Borbulhas sulfúricas, quero dizer.




Escrito por Alex Menezes às 23h23


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