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A Dança dos Famosos


Carlos Tevez, craque argentino da bola e da encrenca. Roberto Justus, craque das câmeras e do oportunismo.



O programa de Justus faz ganhar emprego e dinheiro e, o mais importante, visibilidade. Não importa aos “aprendizes” se são, na frente da mãe e do pai e de todos, tratados a golpes de ponta-pé pelo publicitário. O programa promete um emprego com salário anual de 500 mil reais. Os gastos apenas com a divulgação do programa ficou em torno de 5 milhões de reais. O que importa então? O real interesse do programa é ajudar alguém a mudar de vida ou ajudar gente como Justus e cia a ganharem e ter mais celebridade?



Mundo/ mundo/ vasto mundo... que falta que tu faz, bom Drummond.



Item, qualquer um que apareça na TV, vira “celebridade”, “artista”. Todos. Não importa em que ramo da atividade humana eles se destaquem; no cesto deles cabem maníacos, matadores de pai e mãe, banqueiro ladrão (perdoe o pleonasmo), namoradas de chutador de bola, participantes de reality shows.



Se essas pessoas são artistas e célebres, em que categoria está Leonardo, Ticiano, Enrico Caruso e a Pessoa do Fernando?



Já o jogador do Corinthians paulista (há um inglês, um pouco pior, dizem as más e boas línguas) preferiu largar o time e cantar (?) em Buenos Aires e dançar a tal da “cúmbia”. Houve uma grita geral por parte da imprensa. Não vejo porquê.



Se a mesma imprensa endeusa esses caras, eles se convencem que deuses são. E, na qualidade de deuses, que mal há em passear em plena vigência do contrato? Deuses, que eu saiba, não batem cartão. Já pensou o sujeito-deus chegando no Olimpo e dizendo: “Y quiero bater mi cartón”. Tenha dó.



Ajudam a mitificar jogadores de bola e depois reclamam de suas inconstâncias, muito errado isso. Eles não têm culpa alguma.



Vou liderar um movimento para que as aulas dos professores da rede pública sejam filmadas, para que dêem autógrafos os bedéis. O Ibope lhes mediria as performances. Seriam concedidos troféus aos melhores, sairão na Caras os mais belos. Lendo livros em pose, claro. Igual socialaite faz. Os professores vão se vingar delas, tomando-lhe os livros e o prestigio. Assim, transformados em celebrity os professores, teríamos um mundo menos chato e mais didático. O que, em tese, deve dar no mesmo. Credo.


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