• ABM

Jó é para mim a grande figura da Velho Testamento. Sempre que o leio penso: que biografia! - ser tentado pelo tal do diabo e suportar as penas com galhardia; até que no cap 3:1, ele entrega os pontos: fiz um mal negócio em viver.


Sófocles, que como Jó também era um milionário, e como Shakespeare também dava expediente como ator, alguns séculos depois, aciona a agonia de Jó ao dizer em sua As Traquínias: NÃO NASCER É A MELHOR DÁDIVA. (neste momento histórico não houve intercambio entre as duas culturas, logo é impossível que o grego soubesse de Jó)

O dramaturgo grego sabia onde meter as palavras e o pensamento. A mulher de Jó ,cujo nome esqueci, saudosa dos shopping centers de então que já não podia frequentar pela súbita decadência familiar, é didática ante o sofrimento do marido:


"Ainda reténs a tua sinceridade? Amaldiçoa a Deus, e morre!" (Jó 2:9)


Sobra a dúvida se ela está sendo mesquinha ou, compadecida com o sofrimento, exorta o esposo à primeira eutanásia registrada. Mistério.


Os amigos de Jó são uma espécie de consolo a ele: Elifa e Sofar, que acompanham a sina do hebreu. Não consta que tenham lhe dado conselhos ácidos.


Wilian Blake, super poeta a quem sempre recorro em vez de fazer terapia, também se metia a pintar quadros, e pintou Jó:


Repare no demônio musculoso e jovial, muito mais parecido com um figurante da novela Malhação do que alguém atemorizante que aflige gente do bem; com um bíceps desse até eu queria ser do mal - se é que já não seja, tendo a pena da não-beleza ainda por cima.


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