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380 milhões de Paciência

Hoje iniciarei uma série de palestras sobre Machado de Assis intitulada “MACHADO DE ASSIS: UM SÉCULO DE PRESENÇA”. Hoje estarei na Uniban unidade Osasco apresentando o evento. Dia 03/06, terça-feira, estarei na Livraria Cultura do Shopping Market Place, conforme link abaixo com detalhes e endereço:




Em setembro estarei na UFPE e também no SESC Pompéia aqui em São Paulo, divulgando a obra e o nome do nosso gênio maior. Obrigado.



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Pesquisadores australianos descobriram um fóssil de um bicho no momento em que ele dava a luz. Idade da relíquia: 380 milhões de anos. 380 milhões. Se eu fosse contemporâneo deste animal é mui provável que eu já estivesse enfarado de tanta vida, 380 milhões de primaveras é primavera para elefante.



Dificilmente eu iria me equilibrar são após perpassar tantos milhões anos e ver tanta coisa, como essa que vejo agora no Jornal da Globo, 0h57, matéria sobre o Haiti, o pessoal lá comercializa um biscoito feito à base de argila, nome chique para o popular barro. Esperem aí. Não, o repórter não quis provar o acepipe.



380 milhões de anos. A paciência de Deus deve ser seu mais notável poder. Apesar de que há de haver (não é pleonasmo, penso) outras galáxias menos contagiosas do que essa onde estamos hospedados, inquilinos maus que somos.



O nome do animal encontrado é placodermo. Símbolo de perseverança, o embrião esperou com a lentidão atemporal a data que o tornaria célebre.



Disse a mãe para o filhote, em 15 de novembro do ano –380 milhões:



- Vamos ficar aqui inertes, logo seremos petrificados, o dedo curioso dum arqueólogo nos irá descobrir e nos tornaremos um marco para a ciência do século XXI, d.C. Se nasceres, e como eu procriardes, não terás nada que seja notabilíssimo ao olhar do homem do futuro. O ideal é a fossilização da nossa matéria, que palco, que luzes há em nasceres e viveres como tantos outros de teus semelhantes e depois desfragmentar-te em poeira que pela natural abundância não chama atenção de ninguém? Vamos lá, deixa-te morrer nesse momento sublime, é correto que apenas o nosso risco esculpido na pedra é que será nossa lembrança e não estaremos lá em vida; mas há brilho na ausência, e calcule o adendo de uma ausência presente, ali, forjada na pedra calcária que dura... dura... dura...



- Mas mãe, minha maior glória seria viver, respirar um pouco de ar, namorar uma placoderma com piercing na tromba...



O STF está julgando a questão das células tronco. Vamos ver o que vai dar. Quem sabe não se notabilizam os ministros ao decidirem pela manutenção da ignorância?




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