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150 Medalhas Mortuárias

Deu um longo e agudo centímetro de dó ver o time feminino de futebol do Brasil perder para o EUA a final do torneio olímpico. Marta, a melhor atleta do selecionado canarinho se perguntava alfim do jogo, à porta da derrota:


“O que eu fiz de errado? O que eu fiz de errado?”.


Nada, Marta. A pessoa de talento e a pessoa de gênio é o que diferencia os humanos ordinários dos extraordinários, colocando um num degrau acima do outro, não raro um edifício inteiro. Ronaldinho Gaúcho, craque de extraordinário talento equilibrista, é fraco para decidir. Nunca será um mito, como dom Diego Armando Maradona que reunia em si o talento, o gênio e a seiva misteriosa que infla a veia do herói supremo e sublime.


Alguns de nossos melhores atletas entram para decidir com medo de perder e por isso perdem. Não têm aquela fagulha do gênio que ignora a possibilidade de derrota, o tricampeão (Ayrton Senna) dizia:


“Em condições normais, corro para vencer – e venço. Em condições adversas, também corro para vencer e nas impossíveis, sou páreo”.


Eis a diferença vivaz que divisa o gênio do vulgar.


Entretanto, o fiasco nacional nos Jogos de Pequim não podia aborrecer torcedores, nem a imprensa. Muitos atletas só conseguem ser atletas porque lutam por isso, nem o país, nem os torcedores nem a imprensa os ajudam ou incentivam a ser um atleta de elite. É irônica a cobrança feita sobre essas moças e rapazes.


Em 2014 o Brasil sediará o maior evento monoesportivo do planeta, a Copa do Mundo.


Segundo dados mais ou menos sigilosos do governo, ocorrem 150 homicídios por dia no Brasil. Pior do que em zona conflagrada. No Iraque em guerra, quando morrem 30, vira manchete. Estamos em 21 de agosto de 2008; até junho de 2014 é necessário cumprir cerca 2160 dias; 2160 X 150 = 324 mil brasileiros a menos. Se o cartão de visitas que o Brasil quererá mostrar ao mundo será o de um país moderno e alinhado com os níveis sócio-econômicos do ‘primeiro mundo’ muito terá de ser feito, porque ainda somos um país de trigésima categoria. É necessário melhorar muito para ficar péssimo. Um sinal disto?


O juiz Fausto Martins de Sanctis, aquele que mandou prender o banqueiro Daniel Dantas, comentando sobre a súmula do STF que inibe e “regula” (para o tubaranato, como quer André Petry) o uso de algemas, disse que a medida é cabível e correta sim, mas num país civilizado, não num lugar selvagem como o nosso. Ponto para o juiz. Uma fossa onde 150 pessoas são violentamente rasgadas e trucidadas diariamente, não se pode pretender sério. O Brasil é uma vala incomum.




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