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À Mulher


Se for verdade que Deus criou do pó o homem, a mulher é a quinta-essência do pó.


E um pó de safra especial, em que cada grão compõe a gênese da criação.


Mulher, cálice incandescente, virtuosa na dor, na mulher a alma tem espírito.


Que é do mundo sem teu ser?




A lua minguaria sôfrega, pálida e sem cor. As letras se fariam mudas, sem invocar o seu pendor. Os caminhos seriam sozinhos de encruzilhadas circulares.


Que é da vida sem teu carinho e tua luz?




A vida malferida, os troncos e trancos da dura rotina, o leito amorno do colo maternal, a infância crua do lábio lácteo, o vazio preenchido com a sombra estéril da afeição: mulher, diferente do que diz o bardo teu nome não é fragilidade e sim imensidão.



Grávida de outra vida doa-te; enjoa, reprime, cala, fulgura, houve e ouve o grito.



Na vida real ou irreal se faz Desdêmona, Golda Maier, Ana Karenina, Anita Garibaldi, Capitu, Ana Néri, Ema Bovary, Marie Curie, Penélope, Madre Tereza, Emilia, Coralina, Diadorim, Zilda Arns...




Escrito por Alex Menezes às 07h34


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